Literatura: viagem ao interior
Sei que andei ausente, fora do campo de visão de meus míopes leitores, mas, como vocês bem sabem, para quase todas as coisas, incluindo esta, há sempre boas explicações…
As semanas que antecederam este breve hiato foram pesadas, porém, depois de depositado no solo o fardo, o alívio não tarda…
Dias 15 e 22 de outubro, coincidentemente, duas quintas-feiras, participei de dois eventos distinto sobre literatura (sim, eles existem, e cada vez em maior número).
O primeiro, em Jahu, cidade que organiza pela primeira vez um festival literário, o HILDA, batizado com o nome da mais ilustre filha da cidade no âmbito das letras, a escritora Hilda Hilst.
O segundo, na sua 43ª edição, foi a SEMANA CASSIANO RICARDO, em São José dos Campos, homenagem ao poeta homônimo, natural da maior cidade do Vale do Paraíba.
Ambos os eventos traziam variada e extensa programação, incluindo música, dança, teatro e demais atividades convergentes com a literatura. Ambos os eventos organizados com esmero e profissionalismo. Ambos, divulgados amplamente, incluindo jornais, rádios, sites, TV e com excelente material impresso (folders, flyers, jornais e revistas).
Em Jahu, o fato de ter como secretário de cultura alguém como ANDRÉ GALVÃO faz toda a diferença. André, diferente dos secretários municipais que conheço, não faz política para si. Conhece muito de política cultural e promove-a de maneira equânime e ousada. Na retaguarda, conta com pessoas comprometidas com a arte em cada uma de suas expressões, como a mega competente SÍLVIA CARINHATO, curadora da literatura na cidade.
Já em São José dos Campos, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em sua atual gestão com CLÁUDIO MENDEL na direção cultural, vive um período renascimento na cena local. É claro que lá eles contam com um reforço extra, BEATRIZ GALVÃO que mesmo à paisana bota pilha na pasmaceira geral, com especial atenção à poesia.
Tudo perfeito se não fosse um detalhe:
ONDE RAIOS ESTAVA O PÚBLICO? EM QUE BURACO SE METEU O LEITOR?
É sabido que a literatura não tem o mesmo apelo popular das demais artes. Ainda podemos argumentar sobre o fato de que, talvez, o tal público leitor, ainda que diminuto, contente-se com a simples LEITURA e não esteja interessado em discuti-la ou conversar com escritores.
Ok?
Mas há acaso alguma explicação para o fato dos professores, os que, em tese, deveriam fomentar a leitura entre os futuros leitores, estarem ausentes destes eventos?
Justifica-se de alguma maneira a falta de comunicação e parceria entre as secretarias de cultura e as de educação na organização e divulgação destas iniciativas?
E os estudantes, onde estariam eles? No Orkut ou assistindo Malhação?
Aposto na disseminação de eventos literários (concursos, palestras, oficinas, bate-papos e workshops) pelo interior do estado de São Paulo. Sei que da parte dos escritores há boa vontade e, muitas vezes, até mesmo altruísmo para sujeitar-se a longas viagens em precárias Kombis oficiais e a mirrados cachês. A atitude de alguns deles beira ao sacerdócio.
Definitivamente, a literatura é feita de pessoas. São algumas poucas, mas são valentes e abnegadas, e eu, tenho a sorte de ter várias delas por perto.
Quero agradecer o tratamento especialíssimo que me foi dispensado:
- À atenção, o bom papo e a gentileza do Secretário de Cultura de Jahu ANDRÉ GALVÃO, que dividiu comigo uma pizza, idéias e algumas cervejas;
- À simpatia da querida SÍLVIA CARINHATO;
- Finalmente, ao carinho e força de BEATRIZ GALVÃO.
OBRIGADO!
~ por C. Guilherme A. Salla em 31/10/2009.
Publicado em DIVERSÃO BARATA(O): agenda cultural, LITERATURA, PROSA ILUSTRADA
Tags: André Galvão, Beatriz Galvão, Cassiano Ricardo, Cláudio Mendel, cultura e educação, eventos LITERÁRIOS, Festival Literário de Jahu, Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Hilda Hilst, LITERATURA, oficinas, palestras, POESIA, São José dos Campos, Sílvia Carinhato, workshop




















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