AO PÓ

A tinta seca, colada à parede,
Descasca o tempo.

.
Marca o que não permanece
No oco do reboco.

.
Ouve-se o dia chegar
o assoalho estrala
em sobressalto, o sapato estaca.

.
À porta, bate e abre
o vento.

.
Em cada aposento
há poeira e o pó deposita-se
na mobília, sobre os cupins.

.
O ar abandona o ambiente
antes de tudo ruir.

.
Lá, já
nada mais
morava.

.

Cláudio Guilherme Alves Salla
cc -Some rights

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~ por C. Guilherme A. Salla em 08/07/2008.

Uma resposta to “AO PÓ”

  1. Concise and well written, thanks much for the post

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