POESIAS TABAGISTAS: Manuel Bandeira, Chama e Fumo.

E como poderia ser de outra maneira?

Dando Bandeira!

A amiga TISTU, não fumante, porém simpatizante, posto que tolerante, garante:

“… gosto do cheiro da fumaça… quando alguém acende um cigarro perto de mim…”.

Chama minha atenção para mais um poema de Manuel, o segundo dele nesta antologia viciada.

O fumo chama a chama, que chama o fumo, que chama a chama, que chama o fumo…

Meu amor declarado ao cigarro enche meu peito de catarro.

CHAMA E FUMO

Amor – chama, e, depois, fumaça…
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa…

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor – chama, e, depois, fumaça…

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa…

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor – chama, e, depois, fumaça…

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa…

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder!
Amor – chama, e, depois, fumaça…

Porquanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?…),
O fumo vem, a chama passa…

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas… tem de ser…
Amor?… – chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa…

Teresópolis, 1911

Manuel Bandeira em “ESTRELA DA VIDA INTEIRA – POESIAS REUNIDAS” (7a. edição – 1979 – Livraria José Olympio Editora).

***

!TRAGUE SEU POEMA!

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~ por C. Guilherme A. Salla em 08/08/2008.

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