POESIAS TABAGISTAS: Jacques Prévert, Café da Manhã.

prevert01

São distintas fumaças, suas cores, cheiros e os arabescos que dela desprendem…

Minha fumaça, não a confundo com a dos outros cigarros.

O primeiro cigarro do dia, logo após o café, é uma oração.

Eleva-se no céu da manhã e se expande pelos meus alvéolos.

Jacques Prévert foi levado por um câncer no pulmão, mas existem coisas que os cânceres não levam…


CAFÉ DA MANHÃ

Pôs café
na xícara
Pôs leite
na xícara com café
Pôs açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu o café com leite
E pôs a xícara no pires
Sem me falar
acendeu
um cigarro
Fez círculos
com a fumaça
Pôs as cinzas
no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs
o chapéu na cabeça
Vestiu
a capa de chuva
porque chovia
E saiu
debaixo de chuva
Sem uma palavra
Sem me olhar
Quanto a mim pus
a cabeça entre as mãos
E chorei.

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Tradução: Silviano Santiago

 


DÉJEUNER DU MATIN

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec le petit cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a resposé la tasse
Sans me parler
Il a alumé
Une cigarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis des cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur la tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
E moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
E j’ai pleuré.
france1991-prevert-medium

jacquesprevert

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~ por C. Guilherme A. Salla em 09/02/2009.

7 Respostas to “POESIAS TABAGISTAS: Jacques Prévert, Café da Manhã.”

  1. Caro Guilherme,
    Agora arrepiei. Semana passada estava organizando a lista de blogs, sites preferidos e tasquei lá o Prevért, com link pra essa poesia aí de cima. Chego hoje no seu blógui e… olha ele aí.
    Abraço
    lalo

  2. Lalo, não é uma mera coincidência… eu enquanto leitor de seu blog, ladinamente, surrupiei um exemplar sob medida pra minhas poesias tabagistas… obrigado pela visita!

  3. Me lembro bem da minha vida de fumante. Deixei o vício por ordem estomacais.
    Mas me lembro bem da fumaça. Sempre que acendia um cigarro não estava mais só.
    Hoje disfarço a falta dele com pequenos charutos, cigarrilhas. Sem tragar imito a fumaça que podia sair de mim.

  4. OS CÍRCULOS DE UM CIGARRO NÃO PREENCHEM A SOLIDÃO A DOIS…

  5. Talvez triângulos… obrigado pela visita!

  6. Adoro Prévert, estou surrupiando a tradução daqui que está muito boa,
    abraços,
    denise

  7. Preciso confessar que amo esse poema de paixão, e adorei vê a juventude de Silviano Santiago nessa foto, um homem super legal ao qual tive o privilegio de conhecer.

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