CHUVA DE PEDRA

Era pedra pura,

errada e podre,

oca.

.

Coco concreto,

quando caiu

fez o buraco

por onde o eco

fugiu.

.

Louca queda da pedra livre

vara a telha, entope a calha

furos no forro e nas folhas.

.

Afora pedras, o que do céu mais cai?

.

Chuva?

.

Cláudio Guilherme Alves Salla  (inédito-2008)

cc -Some rights
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~ por C. Guilherme A. Salla em 28/03/2009.

3 Respostas to “CHUVA DE PEDRA”

  1. Vivendo a vida e vivenciando a vida. Eu me pergunto sempre sobre os sentidos das palavras. Elas parecem nunca cessarem ou terminarem de produzir novos sentidos. Deve ser então para isso que serve a poesia: para nos proteger de qualquer ser infeliz ou ditador que queira ou deseje, limitar ou cercear nosssas possibilidades de questionar ou indagar o indizível.

    Eu vejo o seu poema. Ele me produz imagem. Eu caio como pedra. Eu olho para o céu para questionar o que pode vir de lá.

    Eu me perguntei: que droga de chuva é essa que pode virar pedra? Que droga de chuva é essa que pode ser de uma gota apenas? Que mistério idiota é esse que me deixa idiota de querer entender os idiotas que não questionam…

  2. Que pedra é essa que cai sobre como palavra?

  3. Ou melhor:
    Que pedra é essa que cai sobre nós como palavra?

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