TEATRO DE ASTRA ou quando desisti de ser um rockstar

Dia destes, meu amigo MARCELO AUGUSTO D’AMICO (M.A.D.) que se encontra atualmente na cidade maravilhosa cursando jornalismo, mandou-me um e-mail dando notícia curiosa.

Ele, que no Rio já desenvolveu um belo e híbrido sotaque carioca-ituano e uma hérnia “maneira”, mantém também um blogue “irado” onde narra a partir de suas experiências, empíricas e mediadas, as mazelas políticas e sociais do Brasil e de sua ex-capital:  o COMUNICA TUDO.

Jornalismo combativo e engajado como há tempos não tinha o prazer de ler, o blogue de M.A.D., rapidamente tornou-se minha fonte privilegiada de informação. Aliás, acho que já disse aqui que não leio mais jornal, não é? Só às vezes, aquela vista d’olhos no banheiro…

Eu andava preocupado com M.A.D., vulgo Stanley, acreditando que as complicações de sua saúde eram decorrentes da gravidade dos temas que andava abordando. Pois, que no Brasil o jornalismo político é altamente periculoso, insalubre…

Mas, M.A.D. e eu tivemos uma vida pregressa em comum bastante interessante… Artisticamente falando, é bom salientar.

Éramos cinco… um coletivo, um grupo de amigos inquietos e criativos, muito distante do padrão e das aspirações dos playboizinhos locais…

Respirávamos arte!

Escrevíamos, desenhávamos, fazíamos cinema, teatro e música, tudo ao mesmo tempo, num turbilhão renascentista e hormonal.

Eu, EMERSON SITTA, D*****O, RICHARD TÚLIO CURY e STANLEY, cada qual com seu dote, nos realizávamos como grupo, musicalmente.

Esse grupo ou banda se chamou TEATRO DE ASTRA.

Era ali que depositávamos o conjunto de nossas criatividades juvenis, uma banda performática e multimídia. Poesia, música e teatro numa fusão confusa e inflamável.

Eu me revezava entre os vocais e as letras com meu amigo e poeta Emerson e, vez ou outra, atacava a percussão… inábil para qualquer outro instrumento. Richard e D******, nos violões compositores de matizes opostas: o primeiro, visceral, intuitivo o outro, cerebral, erudito. Stanley, o M.A.D., multi-intrumentista fantástico, de sensibilidade impar, da execução à composição, perfazia o quinteto.

Houve apenas uma e antológica apresentação pública da banda, mas acho que foi melhor assim…

No Casarão do Pau Preto, em Indaiatuba, meados dos anos noventa, domingo de sol. Para aliviar a tensão e o nervosismo do “debut”, marcamos, uma hora antes, uma reunião num boteco próximo…

Embriagados, porém ainda tímidos, subimos no palco e nos apresentamos com sacos de supermercado de papel na cabeça, preservando nossa identidade, mas não nossa integridade moral…

Nosso repertório era bacana, musicas próprias apenas, sem concessões. Repudiávamos as bandas coveres e as que não compunham em português… pena que pouca coisa mudou de lá pra cá…

Nós que nos drogávamos (aos caretas da trupe, minhas desculpas, estou incluindo no pacote as drogas lícitas também… compreendido, D******?) e ouvíamos rock n’ roll, misteriosamente compúnhamos singelas canções de MPB…

Será que era a falta de sexo?

Um passado distante que as maravilhas da era digital e o zelo memorialista do grande M.A.D. preservou da ruína do tempo!

No e-mail que me enviou, M.A.D. falava sobre o sucesso póstumo que o TEARO DE ASTRA vem fazendo na web…

Quem sabe, não voltamos, na onda dos revivals, para uma nova turnê mundial?

¡SEÑORAS Y SEÑORES! From Indaiatuba, San Pablo:

TEATRO DE ASTRA!

(clique ali em cima para acessar o repertório ou ouça parte dele aí embaixo)

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Teatro de Astra – De lado by cgsalla

Teatro de Astra – Alegria by cgsalla

Teatro de Astra – Arquetipo by cgsalla

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~ por C. Guilherme A. Salla em 03/12/2009.

5 Respostas to “TEATRO DE ASTRA ou quando desisti de ser um rockstar”

  1. É isso aí, Guilherminho…
    Como eu disse, e você está de prova,
    enquanto o ser humano existir a arte
    também existirá.
    Lembrei do final dos anos oitenta,
    quando arriscava uma percussãozinha
    na bateria eletrônica, ao som de Clash,
    Pistols ou Replicantes e já bebendo
    cerveja…
    Um brinde aos bons tempos e um abraço!!!

    Juninho.

  2. Putz, que lindo ler algo assim, não somente por ter minha pessoa envolvida, mas porque estava precisando mesmo lebrar de mim, de um tempo onde tudo era possível… e era mesmo…

  3. Gostei de ler em seu texto, um episódio da vida dos amigos que o MAD tanto fala! Dou força pra que esses momentos lindos sejam expostos, principalmente pra geração de hoje. Você fez isso muito bem. Parabéns! Sucesso miope pra ti.

  4. Meu caro Guilherme,
    A arte está em tudo que fazemos… os cinco… nada mudou. Ahh música… como era bom lidar com a música… mas ela está guardadinha, quietinha… ela irá reviver em algum tempo em algum espaço.
    Obrigado aos cinco amigos pelos momentos fantásticos!

  5. Amigo!

    Prazer tê-lo por aqui…

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