A AMIZADE É UM NEGÓCIO À PARTE

Amigos, desejo a vocês mais amigos!

Amigos em profusão para que, em bando, não sintamos o mal que resvala ali, da porta pra fora.

Amigos que protejam e defendam-se mutuamente e sem a necessidade do ataque, impondo o respeito com demonstrações de afeto de fato.

Amigos caninos que não se digladiem quando o osso quicar no pátio, mas que possam latir mais alto quando pressentirem o perigo.

Avante, avante! Mais agora do que antes, amigos!

Meu amigo poeta EMERSON SITTA pregou-me uma peça:

Usou de seu tempo e de seu conhecimento (aliás, vejam a verve crítica do poeta em um ensaio recente, publicado no CRONÓPIOS) para tecer a primeira crítica que um poema meu recebe.

E vocês sabem, a primeira crítica a gente nunca esquece…

Espero que, nessa hora ao menos, a nossa longa e bela amizade tenha ficado de lado e, se for esse o caso, que venham as demais!

Transcrevo abaixo, entre envaidecido e envergonhado, o texto originalmente publicado no blogue REDIGIR:

EM RITMO DE FUMAÇA E PAISAGEM – BREVE LEITURA DE UM POEMA DE GUILHERME SALLA

Por Emerson Sitta


HABITE-SE

.

Vou convidar os poetas

Do meu prédio

Para uma prosa.

.

Nas conversas,

Pessoalmente,

Os versos não aparecem.

.

Isolam-se

Nos apartamentos,

Um por andar.

.

Quero discutir

Meu poema

Na reunião de condomínio,

Com os proprietários,

Não com inquilinos.

.

Quero propor melhorias

Na fachada da poesia

E a retirada

Das telas de proteção

Das sacadas.

.

Determinar na portaria

Que os versos interfonem

Antes de subir.

.

O poema acima foi premiado em um concurso literário em Indaiatuba. Publico-o para eternizá-lo mais ainda, se é que é possível atingirmos graus diferentes de eternidade. O nome do poeta, em destaque, é uma personalidade única, tipo imprevísivel e genial. Um sujeito que ora parece clássico, em outros momentos absurdamente contemporâneo e vanguardista. Ele tem no sangue de suas palavras ousadia, delicadeza e um olhar sobre o mundo que devíamos imitar sempre que a vida nos apresentar redemoinhos e tempestades.

Especialmente neste poema, sua visão sobre a poesia questiona e embasa uma série de tentativas, leituras e muita conversa sobre construir versos. Talvez, uma de nossas maiores dificuldades, particularidade de nossa geração, seja compreender o que já foi feito e o que se tem feito. Ainda assim, nunca desistimos, muito menos esse senhor da paisagem que toca o mundo todas as manhãs tragando nuvens e paixões.

É largo o caminho para o entendimento, penso que é largo, não longo. Sempre estamos atravessando de um lado para o outro, nos distanciando do fim, desfocando. Trocando de lado, partimos corações e até mesmo destruímos uma série de laços que nos fizeram ver e sentir. No entanto, nessas trocas encontramos palavras que nos fazem querer retornar ou seguir em frente de uma vez.

Penso que a poesia é assim. Dentre uma lista enormes de razões e conceitos teóricos, ela primeiro tem que nos apaixonar, ou seja, promover o holocausto dentro de nossa mente. Indubitavelmente, a poesia é desconfortável, avassaladora.

É isto que me faz esse senhor poeta.

Promover uma discussão sobre a poesia. Interfonar, mudar a fachada, telas de proteção. Singular é sua didática, clara e objetiva que se contrasta com a natureza imprevisível e impalpável da poesia. Salla, faz uso de sua mais particular característica, poeta que transita pelo mundo descrevendo impressões e articulando reflexões sem mexer em pedras, às vezes polindo uma delas, outras vezes singelamente desviando de uma delas. Faz-nos viver um circuito de impossibilidades dentro de um espetáculo real, pois os objetos são reais, mas a vida não. Naturalmente chegamos ao final do poema concordando, aceitando pelo menos que a nossa visão daquele centro de transformações deve se renovar. É tão pura a simplicidade que chega a ser inverossímil a propagação de confunsões que nos atacam quando abandonamos a leitura.

Como viver ou transitar sobre o caos e dele tirar um sarro? Pergunta que ensaiamos sempre uma resposta e não conseguimos. Outro objeto da poesia. Sim, precisamos discutir poesia. Não para abençoá-la ou canonizá-la, mas para tê-la mais perto, sentir o suco, que amargo, mas eloquente e transformador. Basta um verso para repor o cansaço de um dia inteiro.

Habite-se, poema vencedor do 5 Prêmio Literário Acrísio de Camargo – Indaiatuba – SP

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~ por C. Guilherme A. Salla em 14/12/2009.

8 Respostas to “A AMIZADE É UM NEGÓCIO À PARTE”

  1. É fio, assim usted vai longe!
    Belas fotos e, acima de tudo, bela poesia!!

    Um abraço do great friend,

    SPOCK

    ou
    Juninho.

  2. Merecidíssimo, Guilherme. Um belo poema. Peço Habite-se diariamente para meus clientes e nunca me ocorreu um poema com este título e com este tema. Genial. E que beleza a leitura de Emerson. Parabéns a ambos. Abraços

  3. Nydia, obrigado! Agradar uma poeta da tua estirpe é um feito.

    Acompanho calado e encantado teu blog, valeu a visita.

    Beijo!

  4. Juninho!

    Quando vc puder me receber, comemoramos…rss.

    Abraço, amigo.

  5. “…sem mexer em pedras, às vezes polindo uma delas, outras vezes singelamente desviando de uma delas”. Amizade com certeza.

  6. […] a menção ao blog miopia e o post sobre amizade. O Velho Pai Guigui escreveu, e como escreveu da amizade. […]

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