III FESTIVAL DA MANTIQUEIRA: SPOILERS

Ok…

O FESTIVAL DA MANTIQUEIRA – Diálogos com a Literatura é só desculpa para uma escapada anual para SÃO FRANCISCO XAVIER (SFX, doravante).

As imagens não mentem na Mantiqueira.

A culinária típica dos centros invernais num híbrido com a cozinha tradicional mineira, donde avistamos alguns dos picos e montanhas da vizinha Monte Verde, não resulta em preços proibitivos praticados pelos Jodões lá em seu campos… afinal, SFX está nos campos de José, o simples e rústico carpinteiro.

A economia também se verifica na ampla rede de pousadas e hotéis, alguns de requinte e luxo, coisa que não se usufrui se seu objetivo é acompanhar a programação do FESTIVAL DA MANTIQUEIRA, uma verdadeira maratona!

Todos compareceram – eu, um veterano, participante das até aqui três edições do evento literário de maior expressão no estado de São Paulo – menos o GABEIRA e o frio, que este ano não deu as caras.

Como sempre, uma apresentação musical de peso é atração da noite de sábado, mas quebrando a hegemonia feminina dos anos anteriores (Fernanda Takai e Marina de La Riva), o convidado desta vez foi um cara, foi “o cara”: ARNALDO ANTUNES.

Ok…

Quem já deu um passeio pelo MIOPIA já sabe do apreço que tenho pelo trabalho musical e poético de Arnaldo Antunes (veja e ouça aqui, aqui, aqui e aqui), mas devo dizer que, entre os inúmero shows que dele já vi, nenhum foi tão IÊ, IÊ, IÊ quanto este. EDGARD SCANDURRA estava infernal e os arranjos do CATATAU (Cidadão Instigado) atingem a perfeição quando executados ao vivo.

Pena foi ter perdido a mediação de Arnaldo na conversa com vencedores da edição de 2009 do Prêmio $Ão Paulo De Literatura – aquele das 200.000 pilas -, ALTAIR MARTINS e RONALDO CORREIA DE BRITO, devido ao abuso de vinho na noite anterior e dos omeletes do café da manhã.

Altair Martins e Ronaldo Correia de Brito autografam.

Aliás, ali também foram anunciados os finalistas da edição 2010, sem nenhuma surpresa, diga-se de passagem, a não ser pelo fato de não incluir nenhuma mulher na categoria de melhor livro. Não pude também deixar de notar o luxo dispendioso dos folders impressos do prêmio para a divulgação dos selecionados… creio que o custo do milheiro daquele papel dourado na gráfica custearia a edição dos livros de, pelo menos, uma dúzia de poetas marginais…

Porém o dinheiro é público mesmo… o Alberto é GOLDMAN e a Mantiqueira é SERRA.

O Governador Alberto Goldman, ao fundo André Sturm

 

Não é?

Falando em marginalia – em outra acepção, claro – quem também deu seu recado na serra foi o poeta carioca CHACAL, que promoveu uma edição paulistana do seu já lendário CEP 20.000, convidando gente como ADEMIR ASSUNÇÃO, MARCELO MONTENEGRO e FERNANDA D’UMBRA (fiquei impressionado com a voz de trovão e a dramaticidade trágica desta menina) acompanhados pelos violões bluseiros de FÁBIO BRAUM e MARCELO WATANABE, da banda Saco de Ratos do dramaturgo e bardo MÁRIO BORTOLOTTO (alguém pode me explicar por que cargas d’água sempre tem um japa debulhando no violão nestas ocasiões? Presto aqui meu tributo aos honoráveis nipônicos do rock).

Chacal
Ademir Assunção
Fernanda D’Umbra

Não é que durante o CEP 20.000, eu e minha amantíssima esposa, que a esta altura estávamos bem animados numa preparação para o show do Mister Antunes que veríamos logo mais, fomos consultado pela organização do evento se nos incomodaríamos em dividir nossa mesa com a escritora CAROLA SAAVEDRA (“Do lado de fora”, “Toda terça”, “Flores Azuis” e “Paisagem com dromedário”), palestrante da mesa que encerraria o festival, intitulada DESEJO… estimulante ou no mínimo sugestivo, né não?

Não, amigos! O único desejo da moça era mesmo comer logo um canelone e mais nada. Sem ainda fosse uma carne mal passada… Carola parece não ter ficado muito a vontade em nossa companhia, mas eu não tenho culpa por não ter lido nada do que ela escreveu (e olha que a moça já publicou bastante para uma autora iniciante, sim pois foi assim que ela foi “revelada” da edição passada do Prêmio $P de Literatura onde figurou entre os finalistas com o romance “Flores azuis”).

 

 

Carola Saavedra

Afinal, eu também sou um leitor iniciante da literatura contemporânea…

Enfim, não sei se ela ficou magoada por isso ou por ter me ouvido combinar com minha esposa de sairmos e deixarmos nossa conta para ela pagar… mas não rolou, ela fugiu antes.

Confesso que fiquei arrependido depois. A mesa DESEJO foi bem bacana e Carola se saiu muito bem e até pareceu simpática ao lado do escritor JOÃO ALMINO (lançando o romance “Cidade Livre” no festival) e do autor angolano JOSE EDUARDO AGUALUSA (“Nação Crioula”, “Vendedor de passados” e “As mulheres do meu pai”). A citação recorrente foi PLATÃO que, este ano, não pode comparecer ao Festival…

Carola Saavedra

João Almino

Jose Eduardo Agualusa
Clique para comprar!

São os conflitos entre a prosa e poesia…

Poesia que ainda encontrou espaço, pois que esta fora do tempo, para que eu pudesse prestigiar o lançamento do livro CIDADE DESAPARECIDA do poeta e amigo LALO ARIAS.

Lalo, pelo porte de sua obra poética, poderia estar tranquilamente numa das mesas da tenda principal do festival, mas os poetas são diferentes dos romancistas, eles não sofrem da mania de grandeza dos prosadores. Sendo assim, Lalo escolher um simpático boteco de SFX para lançar seu livro em meio ao blues e o rock n’ roll. Os poemas de LALO ARIAS são punks. Eles em breve estarão aqui nas POESIAS TABAGISTAS, oportunidade para comentar seus poemas com mais vagar.

 

 

Lalo Arias e Beatriz Galvão riem

Chicão Guimarães lançando seu pós-mimeógrafo, Bandalheira

O Bar Pangea

ainda no Pangea...

Lalo na labuta

Chicão idem

Durante o Festival rolou também uma apresentação do stand-up NOCAUTE com MARCELO MANSFIELD, pois, teoricamente, o texto deste tipo de comédia é escrito pelo próprio humorista, ou seja, é literatura… mas até aí ZORRA TOTAL também seria…

Marcelo Mansfield

Para mim stand-up já não para mais em pé. Virou uma praga que ocupa a agenda dos poucos teatros que existem no interior. Lotados de gente que deveria permanecer em casa assistindo ZORRA TOTAL.

Eu ri só um pouco…

Quase me esqueci de falar da tenda da Fundação Cassiano Ricardo que tungou de mim e das minhas amigas da Mantiqueira, FERNANDA DE ARAGÃO e BEATRIZ GALVÃO, a ideia do OFF-FEST, movimento que criamos conjuntamente em 2009, mas… são águas passadas. Agora que eles tem a grana da tucanada, não precisam mais de uns escritores marginais, sem editora e, agora também, sem tenda.

Ano que vem alugarei um fardão de acadêmico e aí, quem sabe…

Sem aperto, FERNANDA DE ARAGÃO logo arrumou um teto para sua instalação “DIZ-QUETES”, confeccionado com disquetes trazendo depoimentos de participantes do evento colhido em loco e via web por intermédio de um CONCURSO CULTURAL promovido na comunidade do Festival (DIÁLOGOS NA MANTIQUEIRA) criada na internet em sua primeira edição em 2008.

Painel Interativo (clique para conhecer o projeto)

É ISSO AÍ COMPANHEIRAS! A LUCHA CONTINUA!

Para fechar, FERREIRA GULLAR!

Ferreira Gullar

Não é mole. O velho é um filósofo, encantou a platéia e por diversas vezes foi aplaudido em pé. Reclamou também da matemática doS concretos, comparou os manifestos de vanguarda aos programas políticos que nunca passarão de promessas. Foda.

Gullar disse que certa vez DÉCIO PIGNATARI o procurou para que assinasse o manifesto da POESIA DE BASE, inspirado no movimento operário e da indústria sob a luz das teorias marxistas, etc, etc.

“Eu assino – disse Gullar – mas antes, quero que você me mostre um POEMA DE BASE!”. O movimento terminou por ali, nunca se ouviu mais falar sobre o tal “manifesto”…

PUTZ, FERREIRA GULLAR!

Quando o mestre de cerimônias CADÃO VOLPATO perguntou sobre os poetas que andava lendo, respondeu que não lia mais poesia, disse que agora apenas RELIA seus poetas prediletos: BORGES, DRUMMOND e RILKE.

Citou “Elegias de Duíno”, de Rilke, como seu livro de cabeceira.

GRANDE FERREIRA GULLAR!

Disse que pra escrever poesia é preciso estar “no barato”, barato que durou quatro meses enquanto, exilado, escreveu o POEMA SUJO em Buenos Aires.

GRANDE FERREIRA GULLAR!

De quem será que ele compra esse fumo? Se bem que, em entrevista à Folha de São Paulo no dia 02 de junho, disse que não é chegado na “diamba”, nome dado a maconha em São Luís, e que quando experimentou, sentiu apenas gosto de mato velho… Alguém precisa apresentar um do paulista para o poeta que dentre as DROGAS do estado parece que só conhece o JOSÉ SERRA…

PUTZ, FERREIRA GULLAR!

Comprei as obras completas do poeta e levei para que ele assinasse, mal sabia eu que aquela assinatura valeria mais algumas centenas de milhares de euros no dia seguinte, já que na segunda-feira o poeta foi agraciado com o Prêmio Camões, a maior honraria para um escritor em língua portuguesa.

esse é meu (R$ 53,00 com 10% de desconto para professores)

GRANDE FERREIRA GULLAR!

Não poderia terminar sem elogiar o bacaníssimo programa VIAGEM LITERÁRIA, projeto que leva os escritores para dentro de bibliotecas públicas de 72 municípios do estado, lançado em sua edição 2010 durante o Festival, e lamentar que Indaiatuba tenha ficado de fora outra vez. Coisa que não depende da vontade das curadoras LORERA MARTINS e ANA CAROLINA DE A. NOGUEIRA, nem de nossa secretária municipal de cultura, uma vez que os projetos culturais do estado tendem a contemplar o maior número de municípios possível e Indaiatuba já possui a VIRADA CULTURAL, ainda que esta não inclua entre suas atrações a literatura.

Lorena e Ana Carolina, coordenadoras do programa

Em breve divulgarei o calendário com as atividades do VIAGEM. LITERÁRIA na Região Metropolitana de Campinas.

Veja agora algumas imagens do III Festival Da Mantiqueira:

Sou louco pela dona destas mãos...

SFX mapeada

Palmas para o Poeta, Prêmio Camões 2010!

Chorinho com Formigueiro, show de abertura...

Ronaldo Bressane usa xadrez...

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~ por C. Guilherme A. Salla em 11/06/2010.

6 Respostas to “III FESTIVAL DA MANTIQUEIRA: SPOILERS”

  1. Parabéns Guilherme poeta multifacetado.
    Também senti falta de vocês, Beatriz Galvão e Fernanda Aragão na nossa Tenda que virou “Espaço Cassiano Ricardo” depois de muitos pedidos suspirosos, pela primeira vez na história da literatura joseense fomos incluidos num espaço estruturado e dignamente apresentável. Contudo houve critérios e alguns preferidos não puderem ser beneficiados. Questões de conjunturas mas muitas intervenções aconteceram por lá: Lançamentos de livros, música ao vivo, declamação de poemas, palestras e intervenções.
    Mas como disse o Carpinejar não precisamos de tapetes para fixar nosso lugar o coração é grande e a Mantiqueira maior ainda.
    Que bom que existe vocês.
    Não se deixem da gente…
    Bjz

  2. Oi Gui. Clap! Clap! Adorável sua cobertura do evento. Nós, eu e Letícia ficamos presas à nossa tenda, hein? Foi divertido, porém inesperado. Ano que vem talvez possamos fazer uma ação conjunta e pedir uma tenda nossa, pois, como você disse, o dinheiro é do governo, é do povo, portanto!

    Em protesto, eu fiz questão de não pisar meus pés na tenda da Fundação Cassiano Ricardo. Que eles sejam felizes, que os joseenses sejam felizes, mas eu moro em São Paulo, uma cidade que acolhe qualquer cultura, credo, pessoa, etc, etc, etc. Já pensou se todos os eventos organizados pela prefeitura daqui exigissem só moradores da cidade? Perderíamos o título de capital cultural. Mas, cada um na sua, não é?

    Creio que existam situações em que o dinheiro utilizado pelas prefeituras, pelas secretarias municipais, seja revertido para a própria população, e acho mesmo que devem existir regras para garantir que o dinheiro permaneça com a população local.

    Mas no Festival da Mantiqueira não era o caso, e poderia listar mil razões aqui, mas não tô afins não.

    Então, Gui, clap! Clap!

    Vamos que vamos!

    Beijão

  3. Só que não foi no MANTIQUEIRA não olhou para as pernas da de Carola Saavedra.
    Claudiô, as fotos estão muito bacanas. Juntando seu gosto por boa foto e a cam nova, vejo belas novas fotos.

  4. Pô, Guilherme, esta é simplemente a melhor cobertura (ops!) de foto-reportagem sobre o evento. Nenhum orgão (ops!) da imprensa ousou tanto. A Secretaria da Cultura poderia se espelhar na sua ação para manter em seus anais (ops, ops, ops!) os registros do III Festival. Argúcia e bom-humor aos montes! Só achei excessiva as palavras sobre esse tal de Lalo. Será que ele leva jeito mesmo?
    Grande abraço.

  5. Beleza! Que bela cobertura. Adorei a crítica ao custo dos folhetos. Ressalvo que Gullar é mesmo um grande poeta. No entanto, repete histórias há muito tempo. Também já ouvi essa e outras sobre o Décio. O que me incomoda é que um evento como esse, em São Paulo, não tem ninguém representando a poesia concreta. Por que chamar o Gullar apenas? Isso está com uma cara global demais!

  6. Há quem leia jornal diariamente e não abre mão do hábito. Eu prefiro ler seu blog. Sempre meticuloso, caprichoso, apimentado na medida certa. Minha psiquiatra faz parte da gang dos fumantes convictos e assumidos. Sempre conversamos sobre cigarros (Ela sempre dopada de morfina). Esses dias estive lá para pegar a receita do meu gardenalzinho e diazepanzinho básicos do dia a dia e o assunto rolou novamente. Desta vez postei no blog.
    MORFINA.
    Passe por lá e leia. Ficarei feliz com sua visita.
    Amei a cobertura Salla do festival.
    Abraçares e beijares,
    PAm Orbacam

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