VIRADA CULTURAL 2011 EM INDAIATUBA: SOBRE O QUE NÃO VI

O que aborrece mais um artista, as poltronas vazias no teatro ou público que, por ventura, chega atrasado, no meio do espetáculo?

Com que prerrogativa, investida de que tirânicos poderes pode-se barrar o público na porta de uma sala de espetáculo ou obrigá-lo a esperar em pé numa fila, os representantes locais da Secretaria da Cultura de Indaiatuba?

Pois foi o que ocorreu comigo e com algumas outras pessoas que, de ingresso na mão, ficaram de fora de algumas das atrações da Virada Cultural 2011 de Indaiatuba, excesso de rigor com os horários que, perdoa indulgentemente o atraso dos próprios artistas e da produção, e pune com prazer sádico o público retardatário…

Não farei aqui a desconstrução do real significado da pontualidade na atual sociedade de controle, não farei a genealogia do tempo até a nossa nefasta era, onde ele assume o papel de opressor-espremedor de laranjas.

Até por que sou uma mera laranja, azeda e sem suco…

Pergunto-me sobre o papel da Secretaria de Cultura neste episódio.

Será que seus representantes e funcionários devem se portar como leões-de-chácara, barrando portas?

Acaso não seria dever destes servidores públicos zelar para que as portas da cultura estivessem sempre abertas?

Esse é o resultado quando, além da verba mirrada que essa secretaria historicamente recebe nas cidades e estados Brasil afora, contrata para seus quadros (com os polpudos salários de comissionados, sangrando até o fim os vinténs da pasta) burocratas.

Burocratas adoram portas, fechadas.

Talvez seja difícil para estes BURROcratas perceberem com suas mentes tacanhas que, apesar do parco orçamento da Secretaria da Cultura, é dela a responsabilidade de gerenciar a maior e mais inalienável das riquezas: ARTE.

Mas em Indaiatuba, artista bom é artista pobre, daqueles que se sujeitam a oferecer a preço vil seu trabalho para algum projeto da pasta.

Laranjas espremidas até o bagaço…

Eu sei, alguns logo dirão, ajustes-se, seja pontual, aceite de bom grado, amigo gado, as migalhas que lhe dão.

Eu? Eu digo NÃO!

Apesar do amargo sumo que me queima a boca, minha laranja ainda dá um caldo…

Ainda prefiro o suco da laranja azeda, do que a água da batata, né não R.(rima oculta)?

Agora vamos ao que/a quem interessa:

Aqui, um espaço em memória do que eu não vi por ser um canalha de um impontual: Rômulo Fróes.

Ultraje a Rigor ali era como uma noite quente dos anos oitenta, teve coveres dos Ramones, Inocentes, jams de blues e Black Sabbath no final... tudo como deve ser.

Marcelo Jeneci foi a jóia da Virada, o melhor álbum de 2010 realmente faz jús ao título quando executado ao vivo...

Laura Lavieri com seu olhos tristes e sua voz suave...

Marcelo atrasou 30 minutos... mas quando artista perde hora o público espera... deve ter vindo de Guaianases, coitado.

O já tradicionalmente frio público indaitubano e a platéia esvaziada pelo atraso e pelo show dos Paralamas fez com que a carioca Nina Becker entrasse de camisão xadrez...

Mas depois, devagar, a coisa foi esquentando... o camisão vira camisola.

Aliás, o guitarrista também tava de pijamas...

Essa cariocas são fogo...

Para fechar Paralamas... parece que depois do acidente o Herbert esta mais afinado.

Mas a piada infame da vez foi do meu amigo Cristian, respondendo à pergunta de Herbert Vianna para a platéia: "- Estão cansados?" e Cristian "- Ele só fala isso porque tá sentado". No mais, foi só a chuva e só.

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~ por C. Guilherme A. Salla em 16/05/2011.

7 Respostas to “VIRADA CULTURAL 2011 EM INDAIATUBA: SOBRE O QUE NÃO VI”

  1. Da próxima vez, chegue na hora.

  2. Mas André, vc sempre me disse que minha falta de pontualidade era meu charme!

    Estou sem chão…

  3. Concordo, mas não quero dividir isso com esse tal de Rômulo…

  4. Oh, minha laranja tabagista! Faremos uma “vaquinha” para de dar um relógio do Ponto Azul, lugar onde a cultura cinematográfica alternartiva (pirata) prospera sem atrasos.

  5. O pior é ver estes mesmos funcionários utilizarem bens públicos para fins particulares. Durante o show dos paralamas uma funcionária da educação sem nenhuma identificação assistia com sua filha e marido ao show e ele sem nenhum cuidado em esconder dos olhos e da chuva carregava e gravava todo o espetáculo com uma filmadora que tinha adesivo de patrimonio da secretaria da educação. Se estragar o povo é que vai pagar, não é?

  6. Muito Bom!

  7. Complicado, né, Guilherme?!

    Daí a laranja apodrecida contamina a do lado, que se justifica alegando que foi a terceira que empurrou e assim vai…

    Na primeira Virada em São José dos Campos o público foi tão maltratado que já estamos na terceira edição e muitas cadeiras permanecem vazias. Nem Paulinho Moska lotou.

    Para me apresentar no sábado às 19h, fui na sexta-feira checar o local, e no dia cheguei às 16h para montar cenário, passar som, luz, fazer aquecimento e concentração. Às 18h55 a organização perguntou se eu poderia atrasar um pouco para começar, pois o grupo anterior, das 18h20, estava se apresentando na frente do prédio e não havia terminado o espetáculo no horário determinado. Detalhe: eles chegaram minutos antes das 18h, sem saber onde se apresentariam (pensando que seria no palco da sala) e reclamando que não havia luz suficiente.
    Eu disse à organização que seria necessário avisar o público e deixar muito claro que eu estava prontíssima para entrar em cena.

    Não me incomodei com a movimentação do público após o início. As chegadas eram silenciosas, quem não encontrava lugar, sentava no chão ou na escadaria. Mas lembro de ter visto a sombra de 2 pessoas que estavam bem no meio saindo da platéia e durante o texto pensei: por que será que não estou agradando? E parece que era porque, devido ao “meu” atraso, eles estavam indo para outro evento que estaria começando.

    Mas o público da Virada tem um comportamento diferente mesmo: chega desavisado, é exigente, e sempre fica assistindo um evento e pensando “será que o outro não está mais legal?”. O que se escuta nas filas é “o que vai acontecer aí?”, “você conhece?”, “se eu não gostar posso sair?”.

    Enfim, penso que o que não pode acontecer nessa laranjada é os espremedores pensarem que estão lidando com uvas e usar os pés para extrair o sumo.

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